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sábado, 24 de dezembro de 2011

Joyeux Noël !




A manjedoura nos convida a mover o olhar para outras esferas. É tempo de acolhida, de abertura ao outro, de encontro. Passam-se os dias, os anos, os séculos e a mensagem do pequenino de Belém permanece: Deus é ternura!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Do Abismo à Iluminação: Relato da Enfermidade de uma Mulher de Fé

Fundada em 1975, a editora alsaciana Arfuyen tem tornado disponível ao público, dentro de seus Carnets Spirituels, uma considerável gama de preciosidades da literatura espiritual de épocas e tradições as mais diversas. Em seu catálogo, figuram clássicos como o "manifesto gnóstico" de François de Fénelon e os "cânticos" atribuídos ao célebre visionário renano medieval Johannes Tauler, em delicadas apresentações editoriais.

O aniversário de trinta anos de morte do psicanalista Jacques Lacan, acaba por se tornar uma grande ocasião para a descoberta de um título integrante do catálogo da Arfuyen surpreendente. Escrito por Marie de la Trinité, uma religiosa francesa falecida em 1980, De l´Angoisse à la Paix é, sem exagero, um dos mais emocionantes e belos testemunhos espirituais do século XX.

Depois de 12 terríveis dias de internação hospitalar na busca pela superação de uma depressão crônica profunda e assustadora (e após perambular por consultórios psiquiátricos e escapar de uma lobotomia) - Marie de la Trinité - nascida Paule de Mulatier - é apresentada a Lacan e à clínica psicanalítica. Como parte do tratamento, o psicanalista parisiense demanda à freira o registro de sua luta contra o sofrimento. De l´Angoisse à la Paix é este relato.

As batalhas existenciais cotidianas da religiosa não se davam apenas contra a angústia e o terror de uma enfermidade grave e esgotante. O mais remoto vislumbre de uma perda da razão de sua vida - a fé - a deixa num abismo de solidão e abandono insuportável. Entre seus apontamentos sobre a doença, os remédios, a busca por sentido, Marie tece considerações inusitadas - e iluminadas - sobre o encarnação do Verbo, a redenção do homem, a consciência, a responsabilidade humana na economia divina da salvação, a vida numa comunidade de crentes, a oração.

Conciliando a experiência psicanalítica com outras terapias, Marie vence as trevas e tem restabelecida a saúde. Anos mais tarde, encorajada por um cardeal, torna-se psicoterapeuta com atuação destacada. Na apresentação do volume, Jacqueline Renaud anota que neste pequeno texto en marge de l´expérience spirituelle mais au coeur même des tourmentes de la recherche intérieure, apparaît ainsi sous un jour nouveau cette personnalité exceptionelle, plus proche de nous encore d´avoir vécu jusqu´au dernier abaissement la misère de notre condition, plus grande encore de l´avoir surmontée.

Numa das últimas "sentenças" de sua confissão, Marie nos convida a trilhar o único caminho possível para a cura: o engajamento pelo amor. Pour la charité, j´ai constaté qu´elle commence quand l´autre devient pour moi un centre et que je ne me situe plus que relativement à ce centre, comme un rayon qui va vers son foyer. Je crois que c´est l´attitude fondamentale de ce qui seul mérite d´être appelé amour, quelle qu´en soit l´expression. Cela modifie profondément les attitudes, et par suite les relations.



De l´Angoisse à la Paix Marie de la Trinité Arfuyen

terça-feira, 24 de maio de 2011

Padre Brown na Terra dos Elfos




Je traite ici de l´origine même de l´éthique et de la philosophie, qui se sont nourries des contes de fées. Si je les décrivais en détail, je pourrais citer sans fin les nobles et sains principes qui en émanent. Par exemple, la morale chevaleresque de Jacques le tuer de géants: il faut tuer les géants, parce qu´ils sont gigantesques. C´est la révolte de l´Homme contre l´orgueil en tant que tel. Car le rebelle est attesté bien avant les royaumes, et la tradition du Jacobin remonte plus loin que celle du Jacobite. Ou encore la morale de Cendrillon, qui rejoint celle du 'Magnificat': exaltavit humiles. Ou encore celle de La Belle et la Bête: il faut aimer ce qui ne mérite pas encore d´être aimé. Il y a aussi la térrible allégorie de La Belle au bois dormant, qui rapelle que l´être humain reçoit en partage toutes les bénedictions de la naissance, et en même temps la malédiction de la mort; qui rapelle aussi que la mort peut se transformer en un doux sommeil.



G. K. Chesterton




Publicado como parte de "Ortodoxy", La Morale des Elfes, do escritor britânico Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) constitui verdadeiro libelo contra o racionalismo e o materialismo de todas as épocas. Para denunciar os equívocos da Modernidade, Chesterton concebe uma apaixonada (e apaixonante) defesa dos contos de fadas. Servindo-se de toda a ironia e bom humor característicos de seu estilo, o autor de Trois Enquêtes du Pére Brown escreve uma deliciosa elegia para louvar o esprit de l´enfance, força motriz da liberdade, da esperança e da democracia.



La Morale des Elfes
Gilbert Keith Chesterton
Mille et Une Nuits - Poche



Anges, Elfes, Fées...
Confira nossas sugestões:


Traités sur la Fable
G. E. Lessing
Vrin - Essais d´Art et Philosophie


Puissances de l´Imagination: Cervantes, Malebranche, Proust
Alain Brunn * Nicolas Correard * Philippe Desoche * Françoise Leriche
Prépas Scientifiques - Garnier Flammarion


Sur les Anges Gardiens
Jacques Benigne Bossuet
Rivages - Petite Bibliothèque


La Mystique Sauvage
Michel Hulin
PUF - Quadrige


La Divinité
Paul Diel
Payot - Petite Bibliothèque Payot


Mondes Lointains et Imaginaires: Réperes Iconographiques
Francesca Pellegrino
Hazan - Guide des Arts


Le Grand Livre des Gnomes
Terry Pratchett
J´ai Lu


Iconographie Médiévale
Jérôme Baschet
Gallimard - Folio Histoire


Qu´est-ce que l´Imagination
Christophe Bouriau
Vrin - Chemins Philosophiques


Les Anges de A à Z: Faits, Anedoctes, Citations et Petites Curiosités sur les Anges à travers les Siècles
Gabriel Mayence
City

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Se os Deuses ouvissem...


É certo que os homens não dão aos deuses muitos bons motivos para que sejam ouvidos. A demasiadamente humana falta de coerência entre a boca e os gestos, certamente, causa grande irritação às divindades celestes. Que tristeza! Se a prática diária dos devotos correspondesse com perfeição aos anseios e louvores expressos em seus lábios, o nosso mundo seria um imenso gracioso jardim.

Ce que les Hommes disent aux Dieux, bouquin da Seuil, traz uma luminosa antologia com preces oriundas das tradições budista, islâmica, hindu, cristã e judaica, recolhidas por cinco profundos conhecedores dessas confições: Armand Abecassis, Michel Angot, Malek Chebel, Philippe Cornu e Jacques Perrier. Ora clamando por proteção e consolo, ora entoando hinos de agradecimento por bençãos recebidas, Ce que le Hommes disent aux Dieux mostra que judeus, hindus, cristãos, budistas e muçulmanos têm por todos estes séculos criado páginas memoráveis da devoção universal, verdadeiras jóias da fé e da expressão artística.



Ce que les Hommes disent aux Dieux : Prières des Grandes Religions
antologia organizada por Armand Abécassis, Michel Angot, Malek Chebel, Philippe Cornu e Jacques Perrier
Seuil
de R$ 109,20
por R$ 92,82

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ler Cura!!!


Na contra-capa de 100 Romans de Première Urgence pour (presque) Tout soigner, de Stéphanie Janicot (Le Livre de Poche), lê-se o seguinte avertissement: Cet ouvrage est indiqué chez l´adolescent et l´adulte dans divers traitements liés au sens à donner à sa vie, pour certains handicaps et traumatismes et toutes pathologies d´ordre amoureux. Si vous êtes: Harcelés par votre patron. Amoureux de quelqu´un qui s´en fiche. Malmenés par la vie. Atteints d´un handicap ou d´une maladie grave. Incapables de vous lever le matin. Dépassés par vos parents. Accros à la cigarrete. Désespérément seuls. Poursuivis par la scoumoune. Jaloux, frigides, impuissants, moches, ou déprimés, etc. Il y a toujours un roman pour vous soulager. Lire guérit !

Para quase tudo de ruim na vida, há segundo Janicot, um remédio. E este remédio é a literatura. Com Margareth Mitchel, Sade, Ivan Gontchorov, Christine de Pizan, Italo Svevo, Stefan Zweig, Sébastien Japrisot, Virginia Woolf, Gertrude Stein, André Gide, Assia Djebar, etc, podemos encontrar forças, alimento, antídoto para superar desafios (tanto os ridículos quanto os imensos) e enfrentar aqueles incômodos questionamentos existenciais que muitas vezes nos fazem perder a fome, o sono e até, em casos gravíssimos, a joie de vivre.

Com um texto ágil e de um humor saborosíssimo, Dra. Stéphanie prescreve o Sturpeur et Tremblements de Amélie Nothomb para quem pena nas mãos e olhares de um "chefiota", e À Rebours, do mestre Huysmans, para quem vive o "terrível" desconforto de ser uma pessoa abastada, não precisando suar a camisa para obter o sagrado pão de cada dia.

Para casais em perigo devido o ciúme mútuo dos conjuges, nossa intrépida terapeuta indica como tratamento a leitura atenta da soberba (em todos os sentidos) Collete (La Chatte) e da diva George Eliot (Middlemarch). Para quem sofre por se ver como uma ameba, O Idiota de Dostoievski e Des fleurs pour Algernon de Daniel Keyes são para a headhunter Janicot imprescindíveis. Virgil Gheorghiu (La Vingt-Cinquième Heure) e Kunzang Choden (Le Cercle du Karma) são remédios de eficácia comprovadíssima para quem precisa de um tônico para enxergar a vida com olhos mais generosos.

Como apêndice ao bouquin, Mme Janicot tece um emocionado elogio a quatro obras que, segundo ela, mudaram sua vida (para melhor, bien sûr !!!): Les Thibault, de R. Martin du Gard, Le Diable en tête, de BHL, Tant que la Terre durera, de Henri Troyat e as Cartas a um jovem poeta do sublime Rilke.

Nestes tempos em que a urgência das futilidades midiáticas nos querem transformar em gansos, fazendo descer por nossas gargantas todo o tipo de bobagem, com o nefasto intuito de fazer de nossos cérebros patéticas terrines insosas, nada mais necessário (e urgente!!!) que o recurso à leitura para nos curar e nos salvar de uma vida tão triste.



Stéphanie Janicot
Le Livre de Poche
de R$ 28,60
por R$ 22,88

terça-feira, 29 de junho de 2010

Le Médium qui parlait aux Brésiliens


"As Vidas de Chico Xavier", biografia do célebre médium mineiro escrita pelo jornalista Marcelo Souto Maior, recebe, hoje, o destaque da Booksmag, em sua seção Le Livre du Jour. Oito anos após seu falecimento, a figura de Francisco Cândido Xavier continua a provocar admiração e perplexa curiosidade nos brasileiros. Confira em Le Livre Messager o artigo que, além de fazer menção ao bouquin de Souto Maior, traz ao público francófono algumas informações à mais sobre o homem que se tornou, em seu tempo, uma das personalidades mais marcantes do Brasil.


Booksmag.fr


Le 30 juin 2002, l’équipe brésilienne de football remportait sa cinquième Coupe du monde. Exactement le même jour, à l’âge de 92 ans, mourait l’une des figures mystico-religieuses les plus populaires du pays, Chico Xavier. Médium reconnu, Xavier avait prédit qu’il mourrait un « jour de fête », et que « le chagrin provoqué par sa disparition serait allégé par une immense joie nationale ».

Dans un pays qui compte, dit-on, quelque vingt millions d’adeptes du spiritisme, convaincus de la possibilité de communiquer avec les esprits des disparus, Chico Xavier jouissait d’une immense autorité morale. Les informations qu’il recevait de l’au-delà ont souvent été prises très au sérieux. En 1979, un jeune homme accusé d’avoir assassiné son meilleur ami a été acquitté grâce au témoignage du défunt, obtenu par l’intermédiaire de Chico, que la justice avait accepté de prendre en compte.

Huit ans après sa mort, et alors que l’on célèbre en 2010 le centenaire de sa naissance, les livres et les films consacrés à la vie de Chico Xavier déferlent sur les librairies et les écrans brésiliens. On trouve ainsi quatre ouvrages consacrés au médium sur la liste des dix meilleures ventes publiée par le magazine Veja, dont « Les vies de Chico Xavier », du journaliste Marcelo Souto Maior. Le film qui en a été tiré, Chico Xavier, a battu tous les records, avec près de 600 000 entrées le jour de sa sortie, en avril dernier. « Comment expliquer, interroge la journaliste Martha Mendonça dans Época, que cet homme d’origine modeste, de santé fragile, peu instruit, né métis au début du XXe siècle dans un village perdu au fin fond de l’État de Minas Gerais, soit devenu, au terme d’une vie de 92 ans, l’une des figures mythiques du Brésil ? »

Né en avril 1910 dans une famille pauvre de dix enfants, le garçon entend des voix dès l’âge de 4 ans. Selon Marcelo Souto Maior, le prêtre du village, le croyant possédé, lui aurait ordonné de réciter mille Ave Maria. En vain. Après avoir découvert, à l’adolescence, les théories du Français Allan Kardec, fondateur de la doctrine spirite, « Chico Xavier passe sa vie à utiliser ses facultés de médium pour venir en aide au plus grand nombre », rapporte la journaliste Eliane Lobato dans l’hebdomadaire Istoé.

À partir de 1959, installé dans la petite ville d’Uberaba, il se livre à des séances publiques de télépathie. « Des centaines de milliers de Brésiliens et de nombreuses célébrités font le déplacement dans l’espoir de communiquer avec un proche. Pourtant, le médium n’a jamais facturé une seule de ses séances, explique Martha Mendonça. Tout au long de sa vie, il a vécu modestement. Auteur de 451 livres, dont il s’est vendu près de 50 millions d’exemplaires et qu’il prétendait dictés par des écrivains, des scientifiques décédés et autres esprits, il a reversé la totalité de ses droits d’auteurs à des institutions caritatives. » En 1981, il fut même officiellement proposé par le Brésil pour le prix Nobel de la paix. « Qu’il ait réellement parlé avec les morts ou non, peu importe, conclut Época. Ce que personne ne remet en cause, c’est son œuvre sociale. Chico Xavier était bon. Voilà la raison de sa popularité. »

En 2006, dans un sondage réalisé par l’hebdomadaire, le médium a été élu « personnalité la plus importante de l’histoire du Brésil ». Devant Pelé et Ayrton Senna.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ubuntu : Je suis ce que je suis grâce à ce que nous sommes tous

Com o Mundial de Futebol na África do Sul, o mundo acaba por descobrir um termo local que, mais do que nunca, deveria ser incorporado ao imaginário lexical de todos os povos. Ubuntu, na cultura tradicional dos povos autóctones do extremo sul do continente africano significa abertura ao outro, magnanimidade, partilha, reconhecimento de que o bem estar do próximo é condição primordial para o próprio bem estar. Ubuntu é o traço marcante de vidas devotadas à humanidade; vidas como as de Tereza de Calcutá, Gandhi e Luther King Jr., homenageadas pela coleção Ubuntu.

Com ensaio introdutório do jornalista sul-africano Mike Nicol e prefácio do Arcebispo Anglicano emérito da Cidade do Cabo, o Prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, cada livro da coleção Ubuntu consagra a vida e a obra de cada um destes notáveis benfeitores espirituais do último século, apresentando trechos de entrevistas, aforismos e portraits. Para a edição francesa da coleção, Jacques Delors e Alain Raillard prestam tributo ao grande apóstolo da solidariedade que foi o abade Pierre.

A essência de Ubuntu não se reduz a, apenas, saber viver junto. Ter no espírito este conceito pivô do jeito de ser das comunidades nativas do mundo inteiro é compreender que somente se torna possível a vida com o outro.
Aimer : Inspirations et Paroles de Mère Teresa
Acropole
de R$ 94,05
por R$ 70,54
Paix : Inspirations et Paroles du Mahatma Gandhi
Acropole
de R$ 94,05
por R$ 70,54
Rêver : Inspirations et Paroles de Martin Luther King, Jr.
Acropole
de R$ 94,05
por R$ 70,54
Aider : Inspirations et Paroles de L´Abbé Pierre
Acropole
de R$ 102,03
por R$ 76,52

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Chesterton contre les Herétiques

La nouvelle traduction de deux ouvrages de Gilbert Keith Chesterton, "Hérétiques" et "Orthodoxie", devrait relancer l'intérêt du public français pour ce brillant polémiste anglais.

Jérôme Anciberro



Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) n’est pas un auteur très apprécié en France. Les amateurs de littérature anglaise connaissent ses nouvelles policières qui mettent en scène le père Brown, prêtre-détective. On mentionne parfois ses biographies (Dickens, Blake, François d’Assise…) et son influence – majeure – sur la vie intellectuelle britannique au début du XXe siècle. Mais il est aussi une référence pour les plus lettrés des catholiques, surtout dans les milieux anti-mo­dernes. Adolescent « païen » puis socialiste agnostique, Chesterton est un chrétien de combat, même s’il ne s’est converti au catholicisme proprement dit qu’à quarante-huit ans. Peut-être cet attachement a-t-il contribué à lui donner mauvaise réputation en nos contrées laïques. Terrible malentendu – pour la réputation, pas pour l’anti-modernisme –, qui sera peut-être dépassé grâce à ces nouvelles traductions de deux ouvrages particulièrement stimulants : Hérétiques et Orthodoxie, publiés respectivement en 1905 et 1908.

Provocation


Ce diptyque pulvérise les fausses gloires de l’époque et les maximes du prêt-à-penser qui sévissaient alors, ces dernières étant bien souvent – mais est-ce vraiment une surprise ? – les mêmes qu’aujourd’hui. L’une d’elles, que Chesterton trouve chez son contemporain George Bernard Shaw, consiste à dire que la seule règle d’or qui existe, c’est qu’il n’y a pas de règle d’or. En d’autres termes, que rien n’est sûr et qu’il est vain de chercher à mener sa vie selon un idéal, si ce n’est – pour Shaw en tout cas – celui d’un vague nietzschéisme. Inacceptable pour Chesterton, qui n’hésite pas à provoquer ses adversaires en se réclamant des « méthodes doctrinales du XIIIe siècle ».

Qu’on ne s’y trompe pas : notre auteur n’a rien d’un sec professeur de morale ou d’un théologien aigri et déprimé. Le rire et la surprise sont présents à chaque ligne. S’il est cruel, il n’est jamais haineux. Un exemple, dans Orthodoxie : il assure qu’il n’est pas un grand lecteur d’apologétique chrétienne et que ce sont les intellectuels athées militants de son temps qui, par leurs faiblesses et leur arrogance, l’ont amené à s’intéresser en toute innocence à la théologie orthodoxe lorsqu’il était lui-même encore agnostique. La méthode de Chesterton consiste la plupart du temps à utiliser ce genre de paradoxes afin de mener son lecteur sur un terrain qu’il n’imaginait certainement pas devoir fouler.

On reste parfois un peu sceptique devant ses raisonnements mais il est difficile de ne pas se laisser gagner par son évidente joie de vivre, la vigueur de son ton et ses formules à l’emporte-pièce. Des formules qui sont sans doute le principal piège que nous tend Chesterton : elles nous paraissent toutes si efficaces qu’on serait tenté de les goûter sans aller plus loin, à l’exemple de celle-ci : « La seule manière véritablement dangereuse et immorale de boire du vin est de le boire comme un médicament. »

Témoignage Chrétien



domingo, 30 de maio de 2010

Le Combat d´Eléonore, Trisomique

Eléonore Laloux et ses parents, fondateurs du collectif Les amis d'Eléonore refusent qu'on inclue la trisomie 21 dans le diagnostic pré-implantatoire.


Agnès Noël

Eléonore Laloux et ses parents, fondateurs du Collectif Les amis d´Eléonore, refusent qu'on inclue la trisomie 21 dans le diagnostic pré-implantatoire. Cela a été proposé dans le rapport de la mission parlementaire qui doit préparer la prochaine révision des lois de bioéthique.

A 24 ans, Eléonore pourrait bien peser dans ce débat. En effet, le 20 mai dernier, elle a été reçue avec son père par deux conseillers de la ministre de la Santé Roselyne Bachelot, dont le rapporteur des Etats généraux de la bioéthique, Alain Graf.

Une fois sorti, Emmanuel Laloux déclarait qu'on leur avait affirmé que la proposition ne serait pas retenue dans le futur projet de loi.

Interrogé le 28 mai, le cabinet de Roselyne Bachelot a répondu que la question n'avait pas été abordée durant l'entretien : " On a juste rappelé ce qu'a toujours dit le ministre, son souci d'éviter la stigmatisation d'une maladie, notamment par des listes. A priori il faudrait maintenir le caractère exceptionnel du DPI pour une maladie grave. Mais c'est à Roselyne Bachelot de communiquer dans les semaines qui viennent et pas à son cabinet. ”

A les écouter, on devine pourtant que la loi ne devrait pas évoluer, et qu'Eléonore a été entendue.

A l'origine de cette mobilisation, en novembre 2009, le Comité consultatif national d'éthique (CCNE) proposait d'introduire le dépistage de la trisomie 21 lors d'un diagnostic pré-implantatoire. Jusqu'à présent, le diagnostic pré-implantatoire était autorisé dans le cadre d'une fécondation in vitro afin de depister une “maladie génétique incurable d'une particulière gravité” présente dans la famille, comme la myopathie.

L'argument du CCNE était que ce dépistage permettrait d'éviter de nouveaux examens, ou une amnoscientèse une fois la grossesse amorcée. L'idée a été retenue dans le rapport parlementaire sur la bioéthique rendu public en janvier 2010, avec une mention supplémentaire ajoutée par Jean Léonetti: “cette recherche complémentaire pourrait être entreprise sous réserve de l'existence de facteurs prédisposant à cette anomalie génétique, comme l'âge de la femme”.

Stigmatisation

La proposition indigne la famille Laloux. Ils lancent un collectif intitulé Les amis d'Eléonore, qui compte désormais une quinzaine d'associations. Leur but est à la fois d'aider à financer la recherche pour les personnes atteintes de trisomie 21 et de refuser la stigmatisation de la maladie.

Ils mentionnent d'ailleurs sur leur site des questions soulevées à ce sujet lors des Etats généraux de la bioéthique : “ Si l'on refuse la naissance d'enfants atteints de graves maladies, quelle place accorder aux personnes handicapées par exemple, jusqu'où le rejet de la maladie va t-il aller dans la sélection des êtres humains?”

Emmanuel Laloux précise: “On pointe la trisomie 21 du doigt si on l'intègre dans le DPI. Cela nous paraît aberrant de stigmatiser des individus qui peuvent être intégrés. Le risque est de faire peur aux couples qui vont avoir une image très négative de ce handicap.” Alors que le parcours d'Eléonore l'atteste : on peut vivre avec ce handicap sans trop de problème. Avec cette nuance que son profil n'est pas forcément représentatif de tous les trisomiques.

La jeune femme a suivi un cursus scolaire classique jusqu'au collège. Aujourd'hui, elle est employée en CDI dans une clinique. Et des recherches médicales existent (notamment sur une substance contenue dans le thé vert, et d'autres sur la stimulation de production de neurotransmetteurs).

“Mais il faut des moyens. En France, les travaux de recherche sont financés uniquement par des fonds privés, ce qui ralentit l'espoir de trouver rapidement un médicament pour les personnes atteintes de trisomie 21.”

La mobilisation a suivi, puisque leur appel de soutien a déjà été signé par 1800 personnes. Le médiateur de la république Jean-Paul Delevoye a reçu la jeune fille le 20 mai.

Et Mgr Bernard Podvin, porte-parole de la conférence des évêques de France lui a envoyé un message: “Tu proclames haut et fort : “Je ne suis pas une anomalie chromosomique, mais un rayon de soleil”. (..) Trouvera t-on meilleur porte parole que toi pour refuser que se banalise, sous couvert de risque zéro, le diagnostic stigmatisant? Le handicapé est notre frère! Devenir hésitants et réducteurs de son accueil, à la naissance comme dans toutes les étapes de notre existence, c'est souffler le vent le plus glacial pour notre Occident. Eléonore, merci!”.


Témoignage Chrétien

domingo, 23 de maio de 2010

La Societé du "care"

Dans la tempête financière qui s'abat sur l'Europe, les propositions socialistes fleurent bon le sentimentalisme et une certaine naïveté plutôt sympathique. Mais face à ce monde furieux... Pourquoi pas ?


Jean-Luc Mouton


Avouons-le, au risque de nous faire taxer de pessimiste impénitent, l’affaire grecque et les menaces qui pèsent sur l’avenir de l’Europe ne sont pas franchement rassurantes. La vieille Europe n’en finit pas de somnoler et de reculer, alors que le monde bouge à une vitesse folle et que les « émergeants » semblent, eux, croquer la vie à pleine dents. Les BRICS, pour Brésil, Russie, Inde, Chine et autres n’ont rien à voir avec nos PIGS européens (Portugal, Italie, Grèce, Spain). Les uns progressent et se développent, les autres sont aux prises avec les affres de l’endettement.

Une série allemande très intéressante sur Arte montre bien cette lassitude de l’Europe occidentale face au dynamisme fougueux, désordonné, et même mafieux sur les bords des immigrés russes. L’auteur conclu sans barguigner à la victoire finale de cette vie en abondance contre la mesure et les lassitudes des gens repus de l’Ouest.

Et c’est dans ce contexte que notre Parti socialiste lance son programme pour les années à venir. Trêve d’attitude partisane, personne ne peut nier qu’il se trouve dans les quelques propositions formulées par Moscovici, à la fois de la raison, de l’ambition et la volonté de bien faire. Ce qui frappe surtout est le nouvel esprit plutôt réaliste du PS. Plus de révolution prolétarienne, du réformisme ; plus de marxisme, de la social- démocratie ; plus de lendemains où l’on rase gratis, mais la juste conscience de l’endettement du pays et de l’étroitesse des marges de manœuvre… Pour ma part, c’est tout ce que je demande, réalisme, sérieux, vérité. « Prendre aux riches » ne semble plus la seule issue ; non qu’il ne faille pas les taxer plus, mais laisser croire que tout serait de la sorte possible comme par magie : le versement des retraites, l’équilibre de la sécu, celui des comptes publics… Tout cela semble bien fini. Et c’est tant mieux. C’est en tous cas la meilleure manière d’aborder les problèmes perpétuels qui planent sur ce pays.

Mais le plus souriant chez les socialistes vient de cette idée du « Care », le soin en anglais. L’idée est amusante car paradoxale, puisque tirée d’un contexte anglo-saxon où le « care » est l’affaire de tout un chacun… mais surtout pas de l’Etat ! Martine Aubry a bien pris soin de parler d’une société où l’Etat doit prendre soin de tous, mais chacun est invité aussi à prendre soin de l’ensemble.

L’idée est profondément sympathique, évangélique, même. Est-elle réaliste ? On ne saurait l’espérer avec facilité tant la société semble s’être endurcie, précarisée, laissée aux seules stratégies individuelles, pour ne pas dire furieusement égotiques ! Mais l’intuition est juste. Nous en avons marre de nous battre sans cesse, de lutter pour s’adapter, bouger, se nomadiser physiquement ou intellectuellement. Nous avons besoin d’apaisement et de repos au sens du sabbat biblique. D’être soigné et de soigner, certainement. Mais qui ne voit, dans le même temps, que l’on en revient ici à notre propos initial. La vieille Europe qui a besoin de soin et de repos, saura-t-elle demeurer avec ses valeurs, sa culture, son projet humaniste dans le monde qui vient. Et face aux BRICS qui s’avancent… ? Question.


Réforme

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Gnose de Judas Iscariotes


As seitas gnósticas cristãs da antiguidade produziram uma literatura reveladora de um cristianismo alternativo que, sobrevivendo aos séculos, vem provocando a ira ou a admiração das mais diversas pessoas. Concebidos numa época em que os ensinamentos do Cristo, com a divulgação apostólica, recebiam a acolhida nos ambientes mais variados, os textos gnósticos refletiam um cristianismo sincrético e em flagrante confronto com o cânone.

Irineu de Lyon, vivendo em plena efervescência herética, já assinalava, em seu célebre tratado de defesa da ortodoxia, a existência de um evangelho atribuído à Judas Iscariotes, o discipulo traidor do Mestre. Esquecido durante muito tempo, o evangelho de Judas foi redescoberto na segunda metade do século passado, no Egito, numa tradução copta, e veio ao público de língua francesa somente em 2006.

Traduzido e comentado pelos especialistas Rodolphe Kasser, Marvin Meyer, Gregor Wurst e François Gaudard, "L´Évangile de Judas" é mais uma obra a enriquecer o olhar sobre este "ícone do mal", que já recebeu a atenção de gente como Jorge Luis Borges, Bob Dylan e Mikhaïl Boulgakov. Além do texto propriamente dito, esta edição de "Judas" traz artigos dos tradutores elucidando o gnosticismo na igreja nascente, a reação contra ele e a saga da descoberta do papiro copta nos tempos modernos.



L´Évangile de Judas
Flammarion - Champs Classiques
de R$ 39,90
por R$ 27,93

terça-feira, 30 de março de 2010

Chico Xavier na Língua de Kardec

Neste ano, espíritas de todo o mundo lembram o centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier, talvez o maior divulgador das idéias do francês Allan Kardec em terras brasileiras. Mineiro de São Leopoldo, o médium Chico Xavier concebeu, com a ajuda dos espíritos, uma volumosa e interessantíssima obra literária, abarcando o ensaio doutrinário, o memorialismo e a ficção religiosa.

O Conseil Spirite International publica diversas obras de Chico Xavier na língua do codificador Kardec. Das sagas de inspiração bíblica ditadas por Emmanuel às reportagens astrais do médico André Luiz, os livros de Chico servem como uma apropriada iniciação à fé espírita. A Livraria Francesa tem, em seu acervo, diversos livros desta personalidade inesquecível.


Obras ditadas por Emmanuel

Paul et Étienne, Renoncement, Cinquante Ans Plus Tard (de R$ 42,00 por R$ 33,60) Ave Christ! (de R$ 30,00 por R$ 24,00)



Obras ditadas por André Luiz

Nosso Lar, Les Messagers, Dans le Monde Supérieur, Dans les Domaines de la Médiunnité, Ouvriers de la Vie Éternelle (de R$ 30,00 por R$ 24,00), Missionnaires de la Lumière, Action et Réaction (de R$ 42,00 por R$ 33,60)

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Escola Existencialista de Bizâncio


Percorrendo o itinerário espiritual de um mestre medieval, Jean Meyendorff, em "Saint Grégoire Palamas et la Mystique Orthodoxe", concebe uma breve história da reflexão cristã sobre a prece.


Diante do que nossos púlpitos contemporâneos - com suas verborragias intercessórias carregadas de irrelevância e prosaísmo - oferecem às assembléias cristãs, torna-se mais que urgente e de uma dramática necessidade, a leitura dos ensinamentos do patrono de Tessalônica, São Gregório Palamas. Figura de proa da patrística oriental, Palamas é lembrado anualmente pelos fiéis ortodoxos durante a liturgia do segundo domingo quaresmal. Quando a sinaxe reunida canta o apolitikon em louvor ao santo "campeão irrefutável dos teólogos", festeja-se, ainda mais que a própria vida do pregador bizantino, a legitimação de uma prática que, em princípio, entraria em choque com a própria "ortodoxia da tradição".

Vivenciado, primeiramente, nos eremitérios dos confins egípcios, o hesicasmo - exercício espiritual consistente na invocação permanente e concentrada do nome de Cristo, sob a "supervisão" luminosa de um ancião - com o passar dos séculos, se tornou o epicentro da devoção monástica nas comunidades ortodoxas espalhadas por lugares tão díspares como as montanhas da península grega ou as imensidões gélidas eslavas. Ainda hoje, surpreendentemente, a hesychia inspira e anima vocações, num radical engajamento por uma vida de prece e presença.

O cumprimento do "orai sem cessar" evangélico pelos chamados "Pais do Deserto", desde bem cedo, produziu uma incrível literatura difusora do hesicasmo, enriquecida, com o passar do tempo, pela reflexão empreendida por pensadores cristãos, alguns militantes da causa, outros críticos ferozes do movimento. A evolução da "casuística" e da "analítica" em torno do fenômeno hesicasta, desde Evágrio e Macário, na antiguidade tardia, até a Rússia à beira da revolução é o tema das pouco mais de cem páginas de "Saint Grégoire et la Mystique Orthodoxe", clássico da teologia cristã contemporânea de língua francesa, obra de uma das maiores vozes do pensamento ortodoxo do século passado, o "saint-sergiste" Jean Meyendorff.

Nascido em Neuilly-sur-Seine, em 1926, Meyendorff recebeu toda a sua educação teológica nesta verdadeira "agência" da espiritualidade eslava encravada no Ocidente que é o "Institut Saint-Serge", de Paris, tornando-se, mais tarde, um de seus mais ilustres professores. Na década de 1950, após sua ordenação ao presbiterado, transferiu-se para os Estados Unidos, vindo a lecionar no Seminário São Vladimir, do estado de Nova Yorque, e em prestigiosos centros universitários americanos como Harvard e Columbia. Conciliando a acadêmia com o altar e o iconostácio, Meyendorff foi um grande difusor do "ortodoxismo" e da cultura religiosa bizantina na América do Norte.

Com uma escritura marcada por uma clareza erudita e elegante, Jean Meyendorff compõe uma pequenina "crônica" histórica da teologia da oração na cristandade oriental, apresentando as contribuições das mais diversas fontes para o entendimento da devoção hesicasta, e os desdobramentos éticos e cívicos decorrentes de sua prática, tendo como pano de fundo uma paisagem intelectual onde transitam e se tocam a escolástica latina e o gnosticismo cristão, o vocabulário neoplatônico a serviço da interpretação bíblica e o nominalismo ocidental, o revival do paganismo promovido pela Renascença e o indispensável diálogo com o Islã emergente, a via eremítica e o cenobitismo, o Sinai e a Criméia, Gregório de Nissa e Serafim de Sarov.

Meyendorff mostra que os mestres hesicastas, embora tendo os anjos como companheiros e o mundo como um inimigo, repudiavam qualquer idéia de espiritualidade descarnada, platônica, avessa ao cotidiano. A busca pela quietude permitida pela oração de Jesus, só poderia se realizar através de uma participação ativa na implementação do Reino de Deus em plena turbulência da Terra, a despeito do império de Cesar ou da mitra. Essa desejada antecipação da vida futura aos crentes genuínos, constitiui uma marca incrível da antropologia espiritual hesicasta e de um existencialismo avant la lettre empolgante. A grande contribuição de Palamas ao reconhecimento do hesicasmo como algo canônico, permitido e desejado por Deus, foi realçar o caráter sacramental da mística hesicasta, trazendo-o para dentro de um único universo conceitual, e disso, preceituá-lo como regra de fé e atuação, não somente dirigida aos conventos ou aos sacerdotes, mas para todo o povo, independentemente de qualquer contingência. O que antes estivera muito próximo do anátema, com Gregório Palamas, recebe a dignidade teológica que o eleva ao status de alma da ortodoxia.

Com seu livro, Meyendorff também permite ao leitor uma generosa introdução há alguns conceitos basilares da fé ortodoxa oriental, direcionando a luz sobre temas pouco conhecidos em nossa realidade extremo ocidental, como a chamada teologia negativa, aspecto doutrinário tão caro aos cristãos orientais e que teve também no bispo de Tessalônica um defensor inspiradíssimo.

O segundo domingo da Quaresma é também conhecido pelos ortodoxos como o Domingo das Santas Relíquias. Preciosidades de tempos heróicos, as relíquias persistem pelas épocas, desafiando-as com seus misteriosos poderes de preservação dos legados da fé. Relíquia Sagrada, o hesicasmo, com o tempo e em atmosferas culturais as mais diversas, segue transformando vidas e consciências. Foi devido a renovação permitida pelo hesicasmo russo, que gênios como Dostoievski e Tolstoi tornaram-se verdadeiros mestres da alma humana.


Saint Grégoire Palamas et la Mystique Orthodoxe
Jean Meyendorff
Seuil - Points Sagesses
de R$ 33,91
por R$ 25,43


quarta-feira, 3 de março de 2010

Um Concerto em prol do Institut Saint-Serge

No próximo dia 14, a Embaixada da Sérvia em Paris abrigará um concerto de música erudita em prol do Institut de Théologie Ortodoxe Saint-Serge. Sergio Garcia (violino) e Luca Marchetti (piano) interpretarão peças de Franck, Kreisler e Dvorak.

Fundado em 1925, o Instituto São Sergio é uma das entidades teológicas mais respeitadas e importantes da Europa. Instalado numa antiga congregação luterana dos alemães radicados na capital francesa, o ITO, como é conhecido, viu passar por suas salas, eminentes personalidades da reflexão teológica cristã como Paul Evdokimov (um dos observadores não-católicos presentes ao Concílio Vaticano II), Olivier Clément e Jean Meyendorff. Este último, estudioso do hesicasmo, autor do clássico "Saint Grégoire Palamas et la Mystique Orthodoxe" (Seuil), participou ativamente na consolidação da Ortodox Church in America.


Un Concert au Profit de l´Institut Saint-Serge
Amabassade de la République de Serbie
1, boulevard Delessert, 75016 - Paris
reservas: f. 01 42 01 96 10 - e-mail: ito@sain-tserge.net
http://www.saint-serge.net/

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Fé e Arte





Tempo de preparação para a grande celebração pascal, a Quaresma é, para grande parte dos cristãos, época de reflexão e resgate. Reflexão sobre a vida e resgate dos valores do reino. Tanto para esta última, quanto para a primeira ações, a volta aos textos sagrados da fé é indispensável.

Em 1975, as Éditions du Cerf, em conjunto com diversas sociedades bíblicas das mais variadas expressões cristãs, trouxeram à publicação a "Traduction Oecuménique de la Bible", uma das mais célebres e respeitadas versões francesas do santo texto. Desde o ano de sua publicação, a Tradução Ecumênica tem recebido duas revisões, a primeira em 1988 e a segunda no ano de 2004.

Conjugando esforços de especialistas ortodoxos, católicos e evangélicos, a "Bible TOB", com grande fidelidade à forma original e ao sentido das mensagens escriturísticas, reapresenta as verdades caras aos cristãos, preservando toda a riqueza cultural e histórica do hebraico antigo e do grego neo-testamentário.

A "TOB" segue o cânone do Primeiro Testamento (em número e ordem de livros) estabelecido segundo as determinações do Concílio Rabínico de Jâmnia, ocorrido no primeiro século da era cristã, sem esquecer, contudo, os livros deuterocânonicos legados pela Septuaginta. Ricamente anotada e contendo, para cada livro, uma breve, mas satisfatória, apresentação, a Bíblia Ecumênica francófona é uma bela sugestão para quem deseja, aproveitando os 40 dias quaresmais, redescobrir a emoção e o encanto do livro que, além de confissão textual de fé de grande parte da humanidade, é também, celebração literária.


Traduction Oecuménique de la Bible
Cerf - Société Biblique Française
de R$ 102,60
por R$ 76,95

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Petite Bibliothèque des Spiritualités

Frédéric Lenoir, editor do Monde des Religions e autor de obras como "Le Christ Philosophe" (Seuil - Points Essais) e "Socrate, Jésus, Boudha: Trois Maîtres de Vie" (Fayard), dirige a Petite Bibliothèque des Spiritualités, interessantíssima coleção da Plon destinada a publicação de livros de "divulgação" religioso-mística. De leitura agradável e contendo belíssimos suportes iconográficos, a Petite Biblio des Spiritualités é uma ótima opção para conhecer figuras, práticas e conceitos das mais diversas expressões de fé e dos mais variados modos de pensar o espiritual. Vale a pena fazer uma visita à Livraria Francesa e conhecer os títulos desta coleção concebida "pour comprendre et connaître les religions, les spiritualités et les croyances de l´humanité".


RITES ET FÊTES DU JUDAÏSME
Hélène Hadas-Lebel
de R$ 65,00 por R$ 48,75

LA PRIÈRE
Isabelle Francq
de R$ 65,00 por R$ 48,75

DÉCOUVERTE DE LA FRANC-MAÇONNERIE
Jack Chaboud
de R$ 65,00 por R$ 48,75

MAHOMET ET L´ISLAM DES ORIGINES
Serge Lafitte
de R$ 65,00 por R$ 48,75

LA BIBLE ET LE CORAN
Serge Lafitte
de R$ 65,00 por R$ 48,75

DÉCOUVERTE DU BOUDHISME
Laurent Deshayes
de R$ 65,00 por R$ 48,75

LE VATICAN
Sophie de Ravinel
de R$ 65,00 por R$ 48,75

RITES ET FÊTES DU CATHOLICISME
Aurélie Godefroy
de R$ 65,00 por R$ 48,75

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Eloquência da Palavra


Livro de Anne Régent-Susini traz coletânea de prédicas religiosas de grandes nomes da espiritualidade cristã.

Talvez a maior herança deixada à fé cristã pelo judaismo tenha sido a centralidade da pregação nas celebrações cúlticas. Entendida como o ápice da reunião religiosa, a chamada proclamação da Palavra é o momento em que o púlpito suplanta a suntuosidade do altar e ao sacerdote é permitido ser, muito mais que uma mera figura administrativa do rito, a personificação da voz de Deus.

Se, na conturbada história das igrejas cristãs, assembléias piedosas tiveram os ouvidos tomados por vozes veludosas suplicantes por guerras e perseguição, muitas outras, apesar da rouquidão ou da timidez invencível de seus emissores, puderam ser elevadas às alturas celestes, diante de sublimes mensagens de fé e esperança, de respeito e amor ao próximo, de coragem para se estar na contramão das movimentações febris de reificação da vida.

Na reflexão suscitada sobre a "arte" de pregar, o conflito entre a retórica e o despojamento, sempre foi presente, marcando acaloradas discussões em torno do embate "brilhantismo intelectual vs. proclamação da verdade divina". Atenta a tudo isso, Anne Régent-Susini apresenta em "L´Éloquence de la Chaire" uma mostra significativa do que de melhor foi pregado nos púlpitos cristãos pela história.

Indo de nomes bastante conhecidos do grande público, tais como João Chrisóstomo e Martin Luther King Jr., até personalidades injustamente esquecidas, tais como o padre polonês Henryk Jankowski - figura de destacada militância pró-democracia na Polonia comunista dos anos 1980 - e Joseph Foliet, apóstolo engajado na luta pelos direitos sociais dos trabalhadores, durament atacado pela Action Française, Régent-Susini, maître de conférences na Sorbonne, faz de sua coletânea um elogio apaixonado do discurso litúrgico.

O leitor sensível verá o quanto palavras tão antigas, pronunciadas em contextos tão diferentes dos nossos dias de maluca urgência, parecem ter sido ditas diretamente à nós; em tempos de ajudas milionárias à instituições pouco afeitas à solidariedade, como bancos e seguradoras, a constatação do pregador medieval Jean Gerson ("On dépense plus d´argent à nourrir les chiens qu´à secourir les indigents") é de uma atualidade lancinante.

Com Régent-Susini vemos que um sermão pode ser tudo, menos ennuyeux. A epígrafe escolhida por ela para sua antologia (retirada de um trecho de uma carta de Madame de Sévigné à sua filha), não poderia ser melhor convite à um mergulho na eloquência da tribuna eclesial: "Ce sont des chefs-d´oeuvre d´éloquence qui charment l´esprit. Il ne faut point dire: Oh! cela est vieux; non, cela n´est point vieux, cela est divin."


L´Éloquence de la Chaire: Les Sermons de Saint-Augustin à nos Jours
Anne Régent-Susini
Seuil
de R$ 105,00
por R$ 73,50


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Simone Weil: 100 anos


Leia em Le Livre Messager texto do teólogo Ricardo Gondim, publicado na prestigiosa revista protestante brasileira Ultimato sobre Simone Weil. Neste ano comemora-se os 100 anos de nascimento da pensadora e mística francesa, autora de "La Pesanteur et la Grâce" e " La Condition Ouvrière".

Ricardo Gondim

Faço parte de uma geração sem heróis. Sinto falta de homens e mulheres que me inspirem a alma, que me desafiem a sair de minha zona de conforto. Quando li o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, de André Comte-Sponville (1995), estranhei que, sendo ateu, ele citasse tantas vezes o nome de Simone Weil como referência de uma cristã verdadeira. Resolvi pesquisar e acabei me familiarizando com essa parisiense que nasceu em 3 de fevereiro de 1909. Hoje, encantado com sua história e coerência de vida e fé, quero torná-la mais conhecida de minha geração.

Simone Weil foi uma menina-prodígio em ciência e literatura. Aos 6 anos de idade, citava Racine de cor. Mesmo com todas as perturbações da Primeira Guerra Mundial, obteve o seu baccalaureat es lettres com distinção, em junho de 1924, aos 15 anos de idade. Na prova oral, o presidente da banca examinadora, especialista em literatura medieval, deu-lhe nota 19 em 20.

Em 1931, Simone Weil formou-se como professora de filosofia pela Ecole Normale Supérieure. Dois anos depois, decidiu abandonar o magistério para experimentar plenamente como vivia um operário. Trabalhou dois anos na fábrica da Renault, sem nunca revelar algo que a tornasse superior aos seus companheiros. Em 1936, viajou para a Espanha a fim de ajudar os republicanos que sofriam na guerra civil. Sofreu os horrores da guerra. Adoeceu e foi forçada a voltar para a França. Debilitada, já não conseguia lecionar, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial.

Em junho de 1941, conheceu o padre Ferrin, do Convento Dominicano de Marseille, preso dois anos depois pela Gestapo. Nesse tempo, Simone Weil abriu-se para o conhecimento de Deus. Correspondeu-se longamente com o padre Ferrin. Depois da invasão da França pelos nazistas, voluntariou-se para trabalhar no serviço do Governo Provisório da Resistência. Mas, mesmo no exílio, sua identificação com os que sofriam sob o regime de Hitler foi tão grande que, fraca e doente, disciplinou-se a comer uma ração semelhante à que os seus patriotas eram submetidos na região ocupada pelos alemães. Assim, sua saúde foi se deteriorando. Morreu solidária aos seus irmãos franceses em 29 de agosto de 1943, aos 34 anos de idade. A vida de Simone Weil inspirava vários ateus e anarquistas europeus. A academia a considerava uma mulher de posicionamentos sólidos e sempre à margem das instituições religiosas, políticas ou intelectuais. Mas ela surpreendeu meio mundo quando se soube de sua conversão ao cristianismo.

Contudo, seu cristianismo também não se conformava aos moldes institucionais. Simone dizia que, em respeito aos ateus, aos frios e aos impotentes diante da fé, ela não se batizaria na Igreja Católica, pois via-se “plantada na interseção do cristianismo e de tudo o que não é cristianismo”.

Àqueles que se consideravam salvos por saberem recitar o credo, ela insistia numa verdade desconfortável: “a incredulidade de alguns ateus está mais próxima do amor de Deus do que a fé fácil daqueles que, sem nunca tê-lo experimentado, penduram uma placa com o seu nome como se fosse uma fantasia infantil ou uma projeção do eu”. Assim como Kierkegaard, Simone Weil pregava o paradoxo de que “é mais fácil um não cristão se tornar um cristão do que um cristão se converter”. Aos que buscavam na religião apenas conforto e paz de mente, ela lembrava que “Cristo não prometeu a paz, mas a espada, e que as suas últimas palavras foram o grito de absoluto desespero: ‘Eli, Eli, lamá sabactâni!’”.

Uma espécie de Madre Teresa do mundo erudito francês, Simone Weil identificou-se de tal maneira com a dor do próximo, que desejava sua companhia. Denunciava que o cristianismo se tornara uma religião exclusivista e insistia que os cristãos precisavam repensar a sua catolicidade. Para ela, até os liberais pós-iluministas contribuíam com a verdade e, por isso, precisavam ser ouvidos. Justificava o ateísmo de outros filósofos como mera reação à religião organizada, responsável por opressão, orgulho e exploração. “O novo santo”, preconizava ela, “necessita de uma santidade nova, fora dos paradigmas. Ele precisa de uma capacidade única: combinar cristianismo e estoicismo, o amor de Deus e o ‘amor filial à cidade do mundo’.”

Simone Weil escreveu pouco. "A Gravidade e a Graça" (La Pesanteur et la Grâce), um dos seus principais livros, foi traduzido para o português em 1993. Leio suas palavras com reverência, acreditando que, à semelhança de Hebreus 11, seu nome faria parte de uma nova lista de heróis da fé.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eric-Emmanuel Schmitt: "Il m’a fallu du Temps pour accepter d’être Écrivain"



O autor de "M. Ibrahim et les Fleurs du Coran" e "Variations Énigmatiques" fala sobre o Zen, a Adolescência, o descobrimento de Deus e seu útlimo romance "Le Sumo qui ne pouvait pas grossir" à revista "Le Monde des Religions", em entrevista concedida a Jennifer Schwartz

Voici un homme qui ne supporte aucune assignation. Quand Éric-Emmanuel Schmitt se passionne pour des figures historiques, elles s’appellent aussi bien Freud, Diderot que Jésus ou Hitler. Romancier, auteur de pièces de théâtre et depuis peu réalisateur, Schmitt n’en finit pas de changer de peau, d’espace, de forme… Et lorsqu’il veut parler de quête et d’élévation spirituelles, il aime à naviguer d’un continent à l’autre, de la culture chrétienne à la tradition juive, islamique et jusqu’au bouddhisme. Expatrié à Bruxelles où il mène une vie à saine distance de Paris, il incarne désormais, aux yeux de son public, une sorte d’homme universel. Son dernier ouvrage "Le Sumo qui ne pouvait pas grossir", écrit dans une langue volontairement épurée, nous emmène par petites touches philosophiques sur les traces du Japon, l’un des berceaux du bouddhisme zen.

Pourquoi avoir choisi de situer l’intrigue de ce livre au Japon ?

Mes livres ont cette volonté d’explorer et de rendre l’autre moins lointain. Faire en sorte que mon prochain soit vraiment mon proche. Or, nous éprouvons à l’égard du Japon un double éloignement, dans l’espace et dans le temps, car le passé de ce pays furieusement moderne est encore très présent, sous la forme notamment du théâtre kabuki et du théâtre Nô. J’ai voulu réduire ce double éloignement, créer une proximité avec cette culture, à travers le sumo et le bouddhisme zen.

La délivrance du héros passe par l’apprentissage du sumo. Êtes-vous un adepte de cette discipline ?

Une amie avocate m’a invité un jour à un match de sumos. Ne voyant là qu’un spectacle pathétique et de pauvres êtres à mettre en clinique immédiatement, elle a attisé ma curiosité en m’avouant son penchant pour ces lutteurs extraordinaires, qu’elle trouvait très beaux… C’est tout ce que j’aime : quand l’autre m’offre un regard différent sur la réalité. J’y suis donc allé et j’ai été fasciné. On croit au départ lorsque les deux adversaires montent sur le ring que le combat est joué d’avance et que le plus massif va triompher. Or l’astuce, l’intelligence, le sens de l’autre, l’anticipation de ses actes, peuvent compenser ce qui manque en volume, en poids et en masse. Peu à peu, on se prend au jeu, on change totalement ses catégories esthétiques et athlétiques. Ces corps totalement imberbes et doux apparaissent comme très onctueux. Les modèles du masculin changent, allant vers le féminin. C’est assez fabuleux.

Le bouddhisme zen est l’autre levier qui pousse le héros à s’ouvrir au monde…

Lors de ma première visite au Japon, voyageant avec des Japonais, je me suis rendu dans un jardin zen à Kyoto et là, il se passa cette chose que je place dans la bouche de Jun : dans ce jardin de pierre, par désœuvrement et par politesse, je me suis assis au bord du jardin zen. J’ai tout d’abord été happé par des pensées négatives. Mais très vite, j’ai eu ce sentiment d’entrer dans un autre état de conscience, de me dissocier de mon corps. J’ai ressenti une sorte d’éclatement physique. Ce n’était ni souhaité, ni voulu, ni même soupçonné.

Sans exercice préalable de méditation ?

Le jardin zen a fait tout le travail, même si j’ai une nature plutôt réceptive. J’ai donc vécu cet immense vagabondage de l’âme, avec la sensation tout à coup que ce n’était pas ma propre conscience qui pensait mais une conscience plus cosmique. Ce fut une expérience violente, retentissante. Elle fut à la base d’un véritable intérêt développé ensuite par la lecture.

Vous avez choisi de raconter l’histoire d’un adolescent qui est en train de mourir au monde, par refus de grandir. Pourquoi ?

L’adolescence n’est pour moi pas un âge mais un état que je porte toujours en moi. Après l’enfance, cette infinité des possibles qui nous autorise à rêver de tout, vient le moment de la vie où l’entonnoir des possibles devient de plus en plus étroit. Il ne conduit plus qu’à la réalité : ce corps, ces pulsions, ces études, cette vie, ce milieu social. Je ne sais pas si j’y ai moi-même jamais consenti. Je suis romancier, dramaturge et donc je crée une autre réalité. Mon héros, Jun, souffre d’une « allergie universelle », il s’est coupé de sa famille, de la société, enfermé dans le mutisme car consentir à la réalité lui paraît effrayant. C’est la rencontre avec un homme plus âgé, qui va bouleverser son univers. « Je rêve quelque chose pour toi. Tu es plus que ce que je vois », lui signifie Shomintsu. C’est la base de la rencontre humaine et cela peut changer une vie.

Cela vous est-il arrivé ?

J’ai plusieurs fois été diagnostiqué de quelque chose par quelqu’un, et cela m’a donné des ailes. Vers 16 ou 17 ans, je voulais faire le conservatoire mais mon imagination musicale était médiocre. En revanche, j’écrivais de façon si naturelle que je n’y voyais aucun mérite particulier. Mes profs de français m’ont diagnostiqué écrivain à partir de la quatrième, cependant cette vocation demeura sourde longtemps. Mes études de philosophie ont tué l’écrivain spontané, ne laissant de place qu’à l’hémisphère du cerveau qui analyse, conceptualise. Il m’a fallu du temps pour accepter d’être écrivain…

Comment s’est opéré le basculement ?

Avec la découverte de Dieu. Lors d’un voyage dans le désert, je me suis perdu seul pendant 36 heures sans eau ni nourriture de survie. Cette nuit passée sous les étoiles aurait dû me faire peur, mais j’ai alors accepté la finitude de mon esprit. Avant, j’avais l’esprit qui allait d’un côté, le cœur ailleurs et le corps un peu partout. Cette expérience m’a unifié. Je viens d’une famille athée et je m’étais construit avec l’idée philosophique et républicaine que l’expérience n’étant pas partageable, elle ne m’intéressait pas. Et tout d’un coup, je me suis retrouvé dans l’expérience, dans le scintillement du sens. J’ai mis des années avant de prendre la parole, mais cette nuit faisait son chemin en moi. J’ai lu peu à peu les grands textes religieux révélés et surtout les mystiques de chaque religion, avec lesquels je me sens plus en résonance. J’ai commencé par l’Orient, puis j’ai fini par lire les évangiles. Ce texte me bouleversa car il plaçait l’amour au-delà de toute autre valeur. Lors de ma nuit dans le désert, je n’avais pas éprouvé cette dimension. Ce fut le début d’une obsession.

Qu’est-ce qui vous a séduit dans le bouddhisme zen ?

Cette possibilité de se débarrasser de soi. Cet appel à ne pas penser avec sa conscience mais avec une conscience cosmique. Pour le philosophe que je suis, cela ne fait aucun sens, mais en expérience, je peux l’éprouver. Je suis passé d’une conception rationalisante de l’esprit à une conception ouverte qui accepte la suscitation de l’expérience, de la révélation, de l’art, de la rencontre. Bref, j’ai cessé de considérer mon esprit comme purement rationnel. J’ai ouvert les vannes.

Le bouddhisme et le christianisme sont-ils proches à vos yeux ?

Ils ont la même fonction pacifiante, liante, qui consiste à abolir la distance entre soi et l’autre, à créer du lien entre les humains, mais ils n’ont pas le même sens. Dans le christianisme, il y a cette idée que chacun est unique. Dans le bouddhisme, au contraire, on doit se « désindividuer », se désingulariser, se débarrasser de ses attachements pour ne pas souffrir. C’est une philosophie de vie qui m’intéresse beaucoup et qui, en même temps, me choque, car je tiens violemment à souffrir de mes attachements. En cela, je me sens chrétien.

Le Sumo qui ne pouvait pas grossir
Eric-Emamanuel Schmitt
Albin Michel
R$ 55,00

sábado, 26 de setembro de 2009

Vida Peregrina



"Le Chemin des Nuages Blancs", volume da coleção Spiritualités Vivantes, da Albin Michel, oferece um olhar único sobre um mundo ameaçado.

De 1932 à 1949, um alemão convertido ao Budismo e tornado monge se embrenha pelo norte da India e pelo Tibete a fim de conhecer o "caminho das nuvens brancas". Desta experiência magnífica, o peregrino conhecido como Lama Anagarika Govinda relata numa obra provocadora, seu itinerário espiritual. Mais tarde, suas andanças tibetanas se tornariam o livre de vie para toda uma geração de 0cidentais fascinados pela transcendência oriental. Hoje, com todos os terríveis acontecimentos acometidos sobre a paisagem tibetana, o diário de peregrinação de Govinda adquire tons dolorosamente dramáticos, vindo, até mesmo, a servir como réquiem para um mundo quase em vias de desaparecer. Acompanhe em Le Livre Messager trechos do livro:

"Au Tibet, l´on n´envisage pas la chasse comme un sport, mais comme un crime, et lorsqu´il s´avére nécessaire d´abattre des animaux domestiques parce que la nourriture est rare en hiver, les bouviers implorent le pardon de l´animal et accomplissent des rites pour qu´il renaisse dans une condition meilleure. Tuer, même la plus petite d´entre les créateurs, est toujours consideré comme un mal qu´il faut donc éviter par tous les moyens humainement possibles dans la vie difficile du Tibet où fruits et légumes sont pratiquements inconnus - sauf dans les vallées fertiles et bien irrigués du Tibet central et oriental - et où la tsampa (farine d´orgre grillée) représente le seul aliment de base. Pêcher est jugé comme une faute particulièrement grave, car les poissons étant petits - tout au moins ceux Tibet - il faut en tuer un grand nombre pour faire un repas convenable, il en va de même pour les oiseaux. Aussi les oiseaux, les lièvres, les marmottes et autres petites créatures n´ont-ils aucune peur des hommes. Je me souviens du jour où un lièvre resta paisiblement en son gîte jusqu´à ce que je le touche; quant aux oiseaux, ils venaient souvent inspecter l´intérieur de ma tente, et de petits rats sans queue qui ressemblaient à des marmottes sortaient de leur trou pour voir ce qui se passait dans ce camp dressé tout à coup sur leur paisible territoire."

"Un exercice spirituel bien connu au Tibet et pratiqué par ceux qui ont été initiés aux enseignements du Bardo (qui se rapportent aux états de conscience intermédiaires entre la vie et la mort ou entre la mort et la renaissance) a pour but de nous faire pénétrer au centre de notre être, où se retire notre conscience au moment de notre mort physique, anticipant ainsi l´expérience de la transition d´une vie à l´autre. Il ne s´agit ni de rappeler le passé ni d´avoir un avant-goût du futur; rien à voir non plus avec le souvenir des vies antérieures ou la divination d´une existence à venir; c´est simplement une constatation de ce qui est actuellement présent et qui contient déjà en germe les possibilités futures. Celui qui les reconnaît dans leur vrai nature peut maîtriser leurs forces cachées et les orienter de telle sorte que, lorsque leurs attaches corporelles les libèrent au moment de la mort, elles conservent la direction donnée et assurent la continuité conscience de l´impulsion qui les dirige en projetant ces forces dans un noveau véhicule de vie."

"Ainsi, nous quittions notre 'Shangrilla', la vallée du Bonheur, et nous retournions dans le monde. Nous ignorions alors que l´heure fatale avait sonné pour le Tibet e que nous ne le reverrions jamais plus qu´en rêve. Mais nous savions que les gourous et le trésors de souvenirs que ce pays inoubliable nous avait si généreusement apportés resteraient vivants en nous jusqu´à notre dernier soufle, et que si nous parvenions à transmettre à d´autres, ne serait-ce qu´une minime parcelle de ces heures et des enseignements de nos gourous, nous aurions l´impression d´avoir acquitté un peu de notre dette de reconnaissance envers le Tibetet nos maîtres."

Le Chemin des Nuages Blancs: Pèlerinages d´un Moine Bouddhiste au Tibet
Lama Anagarika Govinda
Albin Michel - Spiritualités Vivantes
R$ 66,00

"Le Chemin des Nuages Blancs" encontra-se disponível nas lojas da Livraria Francesa, em São Paulo:

Livraria Francesa - Vila Olímpia
Rua Prof. Atilio Innocentti, 920 - Vila Olímpia
f. (11) 38497956

Livraria Francesa - Centro
Rua Barão de Itapetininga, 275 - Centro
f. (11) 30452331